A nuvem do passado









Ando à mercê de uma programação,

Ocupo todo o tempo com um toque no botão.

Amo de dia a dia, de hora a hora

E pedem-me sempre para ir embora.

Rejeitem-se as leis, a mortalidade,

Sejamos nós a decidir pela vontade.

O incrível é, e atenção que é mesmo incrível,

Não adianta de nada sofrer,

Porque por dentro não dá para ver.

Copiam-se sentimentos, porque sentir torna-se raro,

Porém impossível não é.

Sabem que mais, exteriormente sou carne, sou mortal,

Mas por dentro sinto tal e qual como na presença, vejo à semelhança

E constacto que o meu interior está a morrre de amor.

A minha sepultura são as folhas, as flores são os teus olhos,

Vão-se os dias, mas ficam-se para sempre os sonhos...

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